O ano era 1986. De lá vem a minha primeira forte recordação como torcedor de futebol. Uma propaganda da Coca-Cola narrada pelo Fernando Vannucci que dizia: “Força Zico, ‘tá’ todo mundo torcendo por você!”. Depois disso, lembro de como ficava todo mundo lá em casa naquela expectativa, esperando o Telê mandar o Zico pro aquecimento no segundo tempo dos jogos na Copa do México. Bem, vamos deixar isso pra lá…
A próxima recordação vem do ano seguinte. Aquele time do Flamengo foi o mais espetacular da história! Arrisco-me a dizer que era mais do que o de 1981. Imagina só, que time que teria uma defesa em que Aldair era reseva? Mas também, como derrubar Leandro ou Edinho? Renato e Bebeto infernizando as defesas, Andrade desfilando sua classe, Jorginho e Leonardo voando nas laterais. Um camisa 10 que diziam já não ser mais o mesmo. A maior façanha da minha vida até então, foi ficar acordado naquela quarta-feira até quase meia-noite para ver aquele Atlético x Flamengo em que o Zico fez aquele gol de cabeça e depois deu um lançamento mágico na ponta-direita, que encontrou o Renato que deu o passe para o gol do Bebeto. E como valeu a pena lutar contra o sono!
Confesso que primeiro fui fã do Zico, depois virei flamenguista. Cheguei a fraquejar quando perdemos aquele Carioca de 1989, o último do Galinho. Aquele gol roubado do Maurício me fez desistir de ser rubro-negro. Mas eu era só um guri de 8 anos. Bastou meu primo me dar uma camisa 10 do Mengão de presente que aquela raiva foi embora bem rápido.
Lembro que quando o Zico foi Secretário de Esportes, meu tio me levou pra ver uma pelada que o Zico iria jogar aqui em Brasília, mas ele não apareceu. Eu estava lá, com máquina Love na mão, camisa 10 da Seleção. Mas acho que foi bom. Eu iria ficar igual ao filho do Costinha, naquele famoso vídeo “Eu vi o Zico” que a gente encontra no YouTube.
Naquele mesmo ano, eu acho, teve um jogo da Seleção de Masters no Mané Garrincha. Lotadíssimo! E lá estava eu com meu pai, tricolor, me espremendo na geral. Consegui ver um golaço do Zico ao vivo! Voleio, da entrada da área!
Pois é, os anos se passaram e foi ficando cada vez mais difícil ver o Zico em campo. Logo quando fiquei mais fanático pelo Flamengo, na minha adolescência. Como era duro ir pra aula nos dias seguintes àquelas finais perdidas no Maracanã nos anos 90! Em 1992 ainda tinha o Júnior pra resolver, mas depois disso… Fluminense, Independiente, Grêmio, Santos. Meu Deus, cadê aquele camisa 10 que resolvia? Mas fazer o que se já estava escrito que eu seria Flamengo até morrer?
A maturidade foi chegando, o século já era outro, mas a paixão pelo rubro-negro continuou impregnada. A década seguinte foi de alternância entre sofrimento e alegrias. Tivemos dois camisas 10 que deram alegrias. Mas um é muito esquentadinho, o outro não quer mais jogar bola. Que diferença.
Aí veio 2011 e a notícia que eu seria pai. Mais do que pai: pai de gêmeos! O melhor susto que alguém poderia levar. E ficou decidido que se tivesse pelo menos um menino, ele obviamente seria Artur. Sem “h”, porque na cabeça de quem sempre tem que soletrar o nome (“é Franci? Francy? Francis? Frances?”), quanto mais simples melhor. E no dia 26 de junho de 2012, chegaram a Alice e o Artur. Mas depois disso fui descobrir que ele também vai ter que soletrar a vida inteira, já que todo mundo escreve Arthur, com o “h”, provavelmente por causa do Arthur mais famoso do Brasil.
Eu não sei dizer se o Artur vai ser flamenguista, mas posso garantir que ele vai saber quem é o Zico, e que vai ter muito orgulho do nome que o pai dele escolheu.
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